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Para onde foi o dinheiro das apostas?

Imagine que tudo o que o Brasil aposta na internet cabe em R$ 100. Cada bolinha é R$ 1.

Role a tela e veja o caminho dessas bolinhas, do jogo do bicho até hoje.

Uma história do oBETservatório, com números ao vivo

1892

A aposta é brasileira

Em 3 de julho de 1892, no zoológico de Vila Isabel, no Rio, nasceu o jogo do bicho: 25 bichos, cada um com 4 dezenas. Três anos depois, foi proibido. Em 1941, virou contravenção. Mesmo assim, nunca parou.1

O Brasil fechou os cassinos em 1946, liberou os bingos em 1993 e proibiu de novo em 2004. As loterias da Caixa existem desde 1962.2 Apostar sempre fez parte da vida por aqui. O que mudou foi a regra.

2018 a 2024

As bets chegam, mas moram lá fora

Em dezembro de 2018, uma lei liberou as apostas esportivas, mas deu ao governo até quatro anos para criar as regras. Elas só ficaram prontas no fim de 2023.3

Enquanto isso, os sites funcionavam de fora do país, sem sede no Brasil, e o mercado não parou de crescer: só em 2023, os jogadores brasileiros apostaram mais de R$ 100 bilhões nesses sites, cerca de 1% do PIB.4

Só por Pix, foram de R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões por mês de janeiro a agosto de 2024, e 24 milhões de pessoas apostaram nesse período.5 A maior parte voltava em prêmios. O que as casas ganhavam ia embora: na conta em que o Banco Central registra as apostas, o Brasil ficou no vermelho em R$ 20,6 bilhões em 2023 e R$ 25,9 bilhões em 2024, cerca de 0,2% do PIB.6

Uma parte voltava como propaganda: de R$ 5,8 bilhões a R$ 8,8 bilhões por ano, pelas contas do Itaú.7 Imposto, quase nada: as empresas registradas na atividade de jogos e apostas recolheram R$ 91 milhões em tributos federais em 2024.8

18 de 201 fatia = 1 clubeclubes da Série A tinham uma bet como patrocinadora em 2024. Pelo menos uma parte do dinheiro voltava para o futebol.9

1º de janeiro de 2025

As bets se mudam para o Brasil

Começam a valer as regras. Para funcionar, a bet precisava virar empresa brasileira, com sede e administração aqui, um sócio brasileiro com pelo menos 20% e atendimento no Brasil.10 Também pagava licença de R$ 30 milhões, usava endereço .bet.br e só aceitava maiores de 18, com CPF e reconhecimento facial.11

Com isso, nasceu uma cadeia de trabalho no país: as 79 empresas autorizadas tinham CNPJ e sede aqui12 e trouxeram junto meios de pagamento, atendimento, tecnologia, marketing e compliance. Só em 2025, o setor criou mais de 15 mil empregos: 10 mil diretos e 5,5 mil indiretos.13

Até setembro de 2026, as empresas autorizadas pagaram R$ 2,55 bilhões à União só em licenças, em 85 outorgas,14 e o setor diz ter investido cerca de R$ 7,5 bilhões para se instalar no país.15

Quem não tirou licença virou ilegal. E o ilegal seguiu grande: no primeiro semestre, R$ 51 de cada R$ 100 foram para sites sem licença.16

Em número de sites, a diferença é ainda maior. Só em 2025, a Anatel tirou do ar mais de 25 mil sites ilegais, contra os 191 da lista de autorizados.12

191 com licença
+25 mil ilegais derrubados em 2025
Cada pontinho é um site
3 em 4apostadores usaram algum site ilegal em 2025.17

2025

O dinheiro começa a ficar aqui

Em 2025, os brasileiros depositaram R$ 220,6 bilhões nas bets autorizadas. Depois de pagar prêmios e bônus, elas ficaram com R$ 36,9 bilhões.18

Com sede no Brasil, passaram a pagar imposto no Brasil: R$ 8,94 bilhões em tributos federais em 2025, o equivalente a R$ 24 de cada R$ 100 que ganharam, e mais R$ 6,32 bilhões até agosto de 2026.19

E a margem parou de ir embora: em 2025, a despesa da conta em que o Banco Central registra as apostas caiu 85%. Pagas a empresas com sede no Brasil, as apostas deixaram de ser pagamento ao exterior.620

Além disso, 12% do que elas ganhavam com as apostas, depois de pagar os prêmios, tinha destino definido em lei (13% a partir de 2026). Em 2025, foram R$ 4,5 bilhões:

Para onde foram os 12% da receita das bets em 20252122

  • Esporte36%R$ 1,6 bi
  • Turismo28%R$ 1,2 bi
  • Segurança pública13,6%R$ 614 mi
  • Educação10%R$ 459 mi
  • Seguridade social10%R$ 454 mi
  • Saúde e outros2,4%R$ 111 mi

No futebol, as bets puseram cerca de R$ 1 bilhão na Série A em 2025, 7,2% de toda a receita dos clubes.23

25 de setembro de 2026

A piscina com salva-vidas fecha

A Medida Provisória 1.394 proibiu as apostas de quota fixa no Brasil. Os depósitos pararam no mesmo dia, os saques valeram até 5 de outubro e, a partir de 6/10, os sites autorizados começaram a sair do ar.24

O motivo do governo: em 2025, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões com apostas.25

A conta também pesa para a União. Pelos números da própria MP, a arrecadação cai R$ 1,5 bilhão em 2026 e mais de R$ 5 bilhões por ano em 2027 e 2028.26 Os R$ 2,55 bilhões pagos em licenças não serão devolvidos.14

164de 191 sites autorizados já mandam o visitante para o Brasil sem Bets (85,9%).27
Ao vivo, checado às 14h34 de 11/10

Hoje

E os R$ 49?

O dinheiro que ia para os sites autorizados ficou sem porta oficial. Ele pode ter ido para três lugares:

  • Para fora das apostas. É o que a MP quer.
  • Para a única porta que segue aberta.brazino777.com, outro endereço da marca, fora da lista oficial.
  • Para a piscina sem salva-vidas. Os sites ilegais.

Ninguém mediu ainda. Uma estimativa independente, da consultoria H2 Gambling Capital, calcula que cerca de 60% do que se apostava nas bets autorizadas, uns R$ 25 bilhões por ano, siga sendo apostado em sites ilegais, e que uns R$ 15 bilhões saiam das apostas no curto prazo.28 Um estudo da LCA para o IBJR, associação do setor, trabalha com cenários de 80% a 100%.29

É isso que o oBETservatório vai acompanhar.

29 de setembro de 2026

A piscina sem salva-vidas é enorme

A lista mantida pelas empresas que tinham licença somava 17.651 sites de apostas que não deveriam estar funcionando. Só no dia seguinte à MP, apareceram 1.689 novos.30

92 para 1Para cada site autorizado da lista da SPA, existem 92 sem licença.

Uma guerra impossível

Desde 2024, o governo tenta barrar o mercado ilegal derrubando sites. Cada tentativa foi maior que a anterior, e nenhuma mudou o resultado:

  1. out. 2024Anatel divulga a primeira lista de bloqueioNo mesmo dia, surgiram 51 sites novos de bets ilegais31
  2. 2024Governo manda bloquear 7.599 sitesEm fevereiro de 2025, mais de 80% seguiam no ar32
  3. 2025Mais de 25 mil sites derrubados12O ilegal ainda ficou com R$ 51 de cada R$ 100 apostados16
  4. dez. 2025Anatel presta contas na CâmaraAdmite que os sites voltam em novos endereços poucas horas depois do bloqueio33
  5. set.–out. 2026Depois da MP, 13.241 pedidos de bloqueio34Só no dia seguinte à MP, apareceram 1.689 sites novos30

O bloqueio corre atrás de endereços. O site ilegal só precisa trocar de endereço.

E agora?

O mesmo tabuleiro do bicho

Proibir não apaga a aposta. O jogo do bicho é proibido há 131 anos e continua em todo canto do país, sem pagar imposto, sem regra e sem nada voltar para a sociedade.1

Com a proibição, o dinheiro das bets corre o risco de ir parar no mesmo tabuleiro: sem sede no Brasil, sem imposto, sem patrocínio e sem salva-vidas para quem aposta.

A MP ainda precisa ser votada pelo Congresso e pode perder a validade em março de 2027.19

Siga o dinheiro

A mesma história, em bilhões

As bolinhas mostram a proporção. Aqui estão os valores de cada fase: quanto saía do país, quanto ficava em impostos e quem recebia.

Antes da regra2018 a 2024 Regulado2025 a set/2026 Proibidodesde 25/09/2026
Saldo com o exterior, na conta onde o Banco Central registra as apostas−R$ 25,9 biem 20246+R$ 0,9 biem 2025: parou de sair?ninguém mede o ilegal
Impostos federais pagos pelas betsR$ 0,09 biem 20248R$ 15,3 bide 2025 a agosto de 202619R$ 0perda de R$ 5,15 bi em 2027, pela conta do governo26
Para esporte, turismo, segurança, educação e saúdeR$ 0não havia regra federalR$ 7 biem 2025 e no 1º semestre de 20262235R$ 0a fonte secou
Licenças pagas à União–as primeiras foram pagas no fim de 2024, para operar em 2025R$ 2,55 bi85 outorgas14R$ 0e nada será devolvido
Patrocínio na Série A18 de 20clubes tinham uma bet como patrocinadora em 20249R$ 1 biem 2025, 7,2% da receita dos clubes23Em riscoo Flamengo estima perder até R$ 430 mi em 202736
Empregos no país–a maioria das casas operava de fora, sem sede aqui15,5 mildiretos e indiretos, estudo do setor133.500+demitidos até 07/10, pelo levantamento parcial do setor37
Fatia do ilegal nas apostas online–não havia licença federal; só algumas casas tinham licença estadual51%no 1º semestre de 2025, pela Yield Sec16100%de tudo o que ainda se aposta em bets

A balança com o exterior

Saldo da conta em que o Banco Central registra as apostas, em R$ bilhões por ano.6

Até 2022, esses pagamentos apareciam misturados na balança de bens. Depois da MP, o dinheiro vai para sites ilegais, e ainda não há medição desse fluxo.

Quem deixa de receber

O que entrou em 2025 vindo das bets autorizadas. Com a MP, todas as barras vão a zero.2223

  • EsporteR$ 1,6 bi
  • TurismoR$ 1,2 bi
  • Clubes da Série A, em patrocínioR$ 1,03 bi
  • Segurança públicaR$ 614 mi
  • EducaçãoR$ 459 mi
  • Seguridade socialR$ 454 mi
  • SaúdeR$ 45,7 mi
As áreas públicas recebem 12% da receita das bets, por lei. Os clubes recebem por contrato de patrocínio.

1 bolinha = 10 pessoas

Quem trabalhava nessa cadeia

Pelo estudo do setor, as bets autorizadas empregavam cerca de 15,5 mil pessoas, entre diretos e indiretos, com salário médio de R$ 7 mil.1315

  • Mais de 3.500 demitidos
  • 4.167 em férias coletivas
  • Os outros 7,8 mil, por enquanto

Em menos de duas semanas de proibição, mais de 3.500 foram demitidos e 4.167 estão em férias coletivas, pelo levantamento parcial da ANJL. Ao menos 36 das 188 marcas já cortaram pessoal.3738 Fora dessa conta ficam afiliados, influenciadores, agências, meios de pagamento e emissoras, que ninguém contou ainda.

Também perdem

  • A mídia: R$ 23,6 bilhões em anúncios das bets desde 2024. Globo, Band e ESPN suspenderam as veiculações.39
  • A publicidade de 2027: R$ 2,4 bilhões já saíram dos planos das agências, segundo a ANJL.37
  • Os clubes: só o Flamengo estima perder até R$ 430 milhões em 2027.36

Antes da regra, o dinheiro saía e quase nada ficava. Com a regra, parou de sair e deixou R$ 15,3 bilhões em impostos e R$ 7 bilhões para esporte, turismo, segurança, educação e saúde. Com a proibição, o que ficava vai a zero, e o que sai deixa de ser medido.

Essa história ainda está sendo escrita

O Bets Online Brasil confere cada site autorizado a cada 2 minutos. Quando uma porta abrir ou fechar, aparece aqui primeiro.

De onde vêm os números

  1. BNLData (03/07/2024): o jogo do bicho nasceu em 3 de julho de 1892, no Rio de Janeiro, com o Barão de Drummond e o zoológico de Vila Isabel; foi proibido em 1895 e virou contravenção penal em 1941 (Decreto-Lei nº 3.688).
  2. Bem Paraná (26/01/2023): cassinos proibidos em 30/04/1946; bingos incluídos na Lei Zico em 1993 e proibidos em 2004; loterias da Caixa desde 1962.
  3. Correio Braziliense, via Super Rádio Tupi (27/09/2026): a Lei nº 13.756, de dezembro de 2018, autorizou as apostas de quota fixa e deu dois anos, prorrogáveis por mais dois, para a regulamentação; a Lei nº 14.790 veio em dezembro de 2023, e só sites autorizados podem operar desde janeiro de 2025.
  4. Olhar Digital (05/07/2024), com relatório da XP Investimentos e dados da BNLData: os brasileiros apostaram entre R$ 100 bilhões e R$ 120 bilhões em 2023, cerca de 1% do PIB. É o valor total apostado, antes de descontar os prêmios pagos; não há estatística oficial do período anterior à regulamentação.
  5. Banco Central, Estudo Especial nº 119 (24/09/2024): as transferências via Pix para empresas de apostas ficaram entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões por mês de janeiro a agosto de 2024; cerca de 24 milhões de pessoas apostaram.
  6. Banco Central, séries do balanço de pagamentos (SGS 22788, 22790 e 22701), consultadas em 11/10/2026: saldo de serviços culturais, pessoais e recreativos, a conta onde o BC registra as apostas desde 2023: −US$ 4,14 bilhões em 2023, −US$ 4,79 bilhões em 2024 e +US$ 175 milhões em 2025; a despesa caiu de US$ 5,75 bilhões para US$ 845 milhões (−85%). Convertido para reais pelo câmbio médio de cada mês (série 3698). Os saldos negativos equivalem a 15% (2023) e 7% (2024) do déficit em transações correntes do país.
  7. Itaú, Macro Visão (13/08/2024): gasto das bets com marketing estimado entre R$ 5,8 bilhões e R$ 8,8 bilhões por ano; em 12 meses até junho de 2024, R$ 23,9 bilhões ficaram com as casas no exterior, cerca de 0,2% do PIB.
  8. Receita Federal, apresentação da arrecadação de dezembro de 2025 (22/01/2026): empresas registradas na atividade de exploração de jogos de azar e apostas recolheram R$ 91 milhões em tributos federais em 2024 (a preços de dezembro de 2025, sem contribuições previdenciárias). Na mesma tabela, 2025 aparece com R$ 9,95 bilhões.
  9. BNLData (19/08/2025), com dados do Estadão e do Mapa do Patrocínio (Ibope Repucom): 18 dos 20 clubes da Série A tinham bets como patrocinadoras em 2024; os contratos de 2025 passavam de R$ 1,1 bilhão por ano.
  10. Machado Meyer (31/05/2024): Portaria SPA/MF nº 827/2024: empresa constituída no Brasil, com sede e administração no país, sócio brasileiro com ao menos 20% do capital e atendimento sediado no Brasil.
  11. Canaltech: licença de R$ 30 milhões por cinco anos, endereço .bet.br, CPF, reconhecimento facial e idade mínima de 18 anos.
  12. Convergência Digital (27/01/2026): em 2025, a Anatel, em parceria com a SPA/MF, bloqueou mais de 25 mil sites ilegais de apostas; 79 empresas tinham autorização para operar no país.
  13. TMC (21/02/2026), com estudo da LCA Consultores e da Cruz Consulting encomendado pela ANJL e pelo IBJR: o setor de apostas regulado criou mais de 10 mil empregos diretos e 5,5 mil indiretos em 2025.
  14. BNLData (29/09/2026): 85 outorgas de R$ 30 milhões, R$ 2,55 bilhões no total. O ministro da Fazenda disse que não haverá devolução (Poder360, 25/09/2026).
  15. Diario de Pernambuco (21/11/2025), com estudo da LCA e da Cruz Consulting encomendado pela ANJL e pelo IBJR: cerca de R$ 7,5 bilhões de capital investido pelo setor desde a regulamentação; massa salarial de R$ 460 milhões por ano e salário médio de R$ 7 mil.
  16. Yield Sec, citado por SiGMA (17/10/2025): no 1º semestre de 2025, sites ilegais movimentaram 51% das apostas online (R$ 18,1 bilhões) e os autorizados, 49% (R$ 17,4 bilhões).
  17. Instituto Locomotiva e LCA, pesquisa financiada pelo IBJR, citada pelo DGABC (12/06/2025): 3 em cada 4 brasileiros que apostaram online em 2025 usaram sites não autorizados; cerca de 2 mil entrevistas em abril e maio de 2025.
  18. Gazeta do Povo (19/08/2026), com dados do Ministério da Fazenda obtidos pela Folha: em 2025, os brasileiros depositaram R$ 220,6 bilhões nas bets autorizadas; R$ 183,7 bilhões voltaram em prêmios e bônus sacáveis e R$ 36,9 bilhões ficaram com as casas (dados preliminares). A fatia destinada por lei passa de 12% para 13% em 2026.
  19. Correio da Manhã (09/2026), com dados da Receita Federal: a tributação das empresas de apostas rendeu R$ 8,94 bilhões à União em 2025 e R$ 6,32 bilhões de janeiro a agosto de 2026; a MP pode perder a validade em março de 2027 se não for votada.
  20. BNLData (03/03/2025), com entrevista do Banco Central ao Valor: o chefe de Estatísticas do BC explicou que, com a exigência de empresa sediada no país, as apostas "passaram a ser transações domésticas e não são mais captadas no balanço de pagamentos".
  21. BNLData (26/12/2024): divisão dos 12% da receita líquida das apostas: esporte 36%, turismo 28%, segurança pública 13,6%, educação 10%, seguridade social 10%, saúde 1% e outros 1,4%.
  22. BNLData (12/06/2026), com dados do Ministério da Fazenda: destinações de 2025: R$ 4,5 bilhões, sendo esporte R$ 1,6 bilhão, turismo R$ 1,2 bilhão, segurança pública R$ 614 milhões, educação R$ 459 milhões, seguridade social R$ 454 milhões, saúde R$ 45,7 milhões e o restante para Funapol, sociedade civil e ABDI.
  23. Bem Paraná (22/09/2026), com levantamento da Convocados: as bets responderam por R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,07 bilhões que os 20 clubes da Série A receberam em patrocínio em 2025, 7,2% da receita total dos clubes.
  24. Renova Invest: cronograma da MP nº 1.394/2026: publicação e fim dos depósitos em 25/09, saques até 05/10 e sites fora do ar a partir de 06/10/2026.
  25. Garrastazu Advogados: Comsefaz: as famílias tiveram perda líquida de R$ 62,5 bilhões com bets em 2025; a exposição de motivos da MP estima perda de R$ 1,541 bilhão em receitas tributárias em 2026.
  26. Senado Federal, sumário da MP nº 1.394/2026 (29/09/2026): pela exposição de motivos, a proibição reduz as receitas tributárias em R$ 1,541 bilhão em 2026, R$ 5,150 bilhões em 2027 e R$ 5,330 bilhões em 2028; as outorgas pagas não serão devolvidas.
  27. Bets Online Brasil: checagem automática dos domínios da lista de bets autorizadas da SPA/MF, a cada 2 minutos, desde 06/10/2026.
  28. BNLData (29/09/2026), com estimativa da H2 Gambling Capital: sobre um mercado regulado de cerca de R$ 40 bilhões por ano no ritmo de 2026, cerca de 60%, uns R$ 25 bilhões (faixa de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões), continuariam sendo apostados com operadores sem licença; cerca de R$ 15 bilhões deixam o mercado no curto prazo.
  29. iGaming Business (25/09/2026), com estudo da LCA encomendado pelo IBJR: o estudo trabalha com cenários em que 80% a 100% da demanda do mercado regulado migra para operadores ilegais.
  30. Mercado&Consumo (29/09/2026): lista de 17.651 sites de apostas que não deveriam estar funcionando, mantida pelas empresas que tinham licença; 1.689 novos sites no dia seguinte à MP.
  31. Poder360, via Investing.com (16/10/2024), com levantamento do G1: no dia em que a Anatel divulgou a lista de mais de 2 mil endereços a bloquear, o G1 achou 134 sites de 18 bets ilegais; 51 deles surgiram naquele mesmo dia.
  32. Revista Oeste (22/02/2025), com levantamento do UOL: o governo determinou em 2024 o bloqueio de 7.599 sites de apostas irregulares; mais de 80% desses endereços continuavam ativos.
  33. Minha Operadora (11/12/2025): em audiência na Câmara, a Anatel relatou que sites clandestinos reaparecem em novos domínios poucas horas após uma tentativa de bloqueio e que VPNs neutralizam parte do esforço.
  34. Poder360, com Agência Brasil (07/10/2026): desde 25 de setembro de 2026, o governo pediu o bloqueio de 13.241 sites ilegais de apostas e a remoção de perfis e grupos em redes sociais.
  35. BNLData (17/08/2026), com dados da SPA obtidos via LAI: no 1º semestre de 2026, receita bruta de R$ 20,07 bilhões e R$ 2,49 bilhões destinados por lei a políticas públicas.
  36. BNews (10/2026), com entrevista do presidente do Flamengo à CNN: o clube estima perder de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões de receita em 2027.
  37. Poder360 (07/10/2026), com levantamento parcial da ANJL: mais de 3.500 demitidos (23% da força de trabalho) e 4.167 funcionários em férias coletivas; segundo o consultor jurídico da ANJL, R$ 2,4 bilhões em publicidade prevista para 2027 já saíram das projeções das agências.
  38. BNLData (07/10/2026), com levantamento da Amig publicado pela Folha: ao menos 36 das 188 marcas autorizadas começaram rodadas de demissões até 5 de outubro.
  39. Times Brasil (09/2026), com dados do Ibope e da Tunad: as bets reguladas investiram R$ 23,6 bilhões em mídia de janeiro de 2024 a agosto de 2026; Globo, Band e ESPN suspenderam as veiculações.

Os números de 2023 a 2025 vêm de estudos diferentes, feitos com métodos diferentes, e servem como ordem de grandeza. Não há estatística oficial de quanto dinheiro saiu do país antes de 2025. Cada bolinha arredonda para R$ 1. Os valores do balanço de pagamentos foram convertidos de dólar para real pelo câmbio médio de cada mês; essa conta registra a parte que fica com as casas (os prêmios vão para outra conta) e inclui outros serviços recreativos, mas o salto a partir de 2023 vem das apostas, que ganharam código próprio naquele ano. "R$ 24 de cada R$ 100" divide os R$ 8,94 bilhões de tributos federais pelos R$ 36,9 bilhões que as casas ficaram em 2025. Os R$ 91 milhões de 2024 vêm da tabela da Receita por atividade econômica, que mostra R$ 9,95 bilhões para 2025; no texto, usamos os R$ 8,94 bilhões divulgados pela Receita para as empresas de apostas. Os R$ 7 bilhões somam as destinações de 2025 (R$ 4,5 bilhões) e do 1º semestre de 2026 (R$ 2,49 bilhões). Os empregos usam a base do estudo do setor e os cortes do levantamento parcial da ANJL, que ainda não foram confirmados por registros oficiais. A proporção de 92 para 1 compara a lista de 17.651 sites irregulares com os 191 domínios da lista de autorizadas da SPA/MF.